sábado, 25 de fevereiro de 2012

Há Esperança para Ferido



Há esperança para o ferido

“Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco, ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova” (JÓ 14.7-9)

O livro de Jó é um livro incrível. Nenhum crente poderia deixar de lê-lo, por conter em suas páginas verdades imutáveis sobre esperança, perseverança e fidelidade.


É um livro que fala diretamente do relacionamento de Deus com o homem, no âmbito do mundo espiritual, dos momentos do silêncio de Deus. É considerado uma obra prime literária mundial.


Os primeiros cinco versículos do livro narram o primeiro estágio da vida de Jó. Era um homem que habitava na terra de Uz, possuía muitos bens, foi patriarca e um tipo de juiz e sacerdote, já que muitos o procuravam para resolver litígios, pedir conselhos, e a Bíblia declara que ele oferecia holocaustos por seus 10 filhos.


Jó era o homem mais rico do oriente naquele tempo, e provavelmente o mais respeitado. Mas certo dia, Jó nunca imaginaria, que lá no céu, diante de uma reunião na sala de Justiça do Todo Poderoso, se apresentaria o nosso Adversário (Satanás significa no hebraico adversário).


Nesta ocasião, Deus dá testemunho de Jó e observa suas qualidades: “... homem íntegro e reto, temente à Deus e que se desvia do mal” (Jó 1.8). Aqui, neste momento cósmico, começa uma etapa na vida deste homem, que ele nunca imaginara...


Por causa deste testemunho, o Adversário faz uma acusação: ele só te teme porque tu deste a ele tudo, cercaste-o de bem, prosperidade, se tu tirares isso dele, verás que te negará (leia Jó 1.9-11).


Neste momento, Deus permite que o Adversário toque em tudo quanto Jó possuía. Este homem dorme abençoado, feliz e certo de que tudo estava em ordem. Ao acordar, sai ao pátio de sua casa, observa a bondade de Deus e o louva. Neste momento um servo seu entra desesperado anunciando-lhe uma terrível desgraça: os sabeus levaram todo teu gado e mataram teus servos, só eu fiquei. Jó ouve atônito, e nem ainda digeriu esta terrível notícia, quando entra outro empregado seu e lhe anuncia que uma chuva de fogo, que caíra do céu, matara suas ovelhas. Outro adentra à casa anunciando que os caldeus levaram todos os seus camelos. Mas a pior de todas as notícias ainda estava por vir.


Enquanto estes homens ainda falavam sobre estes acontecimentos, surge um, que carrega consigo uma notícia devastadora. Este último anuncia-lhe que seus filhos, amados filhos, estavam reunidos em casa do irmão mais velho quando um forte vento, destruiu a casa e matou a todos!


Jó sai cambaleante, olha pro céu... tenta compreender o que está acontecendo... segundos que pareciam séculos, sua vida passa como um filme em sua mente... e de repente este homem toma uma atitude.
Não como eu ou talvez você, não apontando o dedo para o céu e tomando prestação de contas com Deus, não anunciando que Deus era injusto, não, não...


A bíblia declara que este homem se levantou, rasgou seu manto dirigiu-se até seu quarto, lá pediu à sua esposa, que já estava em prantos que lhe ajudasse a raspar a cabeça, saiu novamente à vista de todos e se prostra em terra adorando ao Senhor!


Qual seria sua reação? O que você diria pra Deus?


O inimigo fica furioso. Volta à presença de Deus e declara que se Deus lhe tocasse na saúde ele blasfemaria. Deus permite, pele por pele...


Jó dormiu mais uma noite, seu corpo físico cansado. Providenciara o velório de seus dez filhos, sua mente confusa, sua cabeça doía e latejava. Seu corpo frágil rolava na cama, sua alma estava inquieta. Nada lhe restou...


Mas uma vez, sem ter o conhecimento daquilo que ocorria, quando este homem acorda, percebe que existem algumas feridas purulentas nascendo em seu corpo. Passadas algumas horas, vem a febre. O que é isto?


Muitos especulam sobre qual enfermidade atacou o corpo de Jó, mas ninguém pode afirmar qual era. Charles R. Swindoll, no entanto, lista as reações desta enfermidade: coceira contínua, degeneração da pele, perda de apetite, medo e depressão, feridas purulentas, vermes que surgiam nas feridas, dificuldade de respirar, olheiras, mau hálito, febre alta, diarréia... Meu Deus! Quanta dor!


Gostaria de falar que, diante de tudo o que aconteceu com Jó, e do estado de seu corpo, uma chaga mortal se lhe crescia: a ferida moral. Como poderia viver ainda um homem, que um dia tornou-se conhecido por que em seus lábios havia sempre uma palavra sábia, um conselho, suas mãos agora purulentas um dia foram procuradas para saciar a fome e a necessidade, ou para levantar-se em adoração quando eram oferecidos holocaustos. O que restara? Nada. Provavelmente sua desgraça lhe deu mais fama do que sua glória! A notícia percorria todo o oriente médio. Todos ficaram sabendo... que vergonha.


Diante disso, Jó toma uma decisão: vai se isolar juntamente com os desterrados, os rejeitados da sociedade e lá, próximo ao lixão da cidade, sentado na cinza, seu consolo é um caco de tijolo que alivia suas coceiras.
Maldito o dia em que nasci. Maldição seja eu ter nascido vivo. Porque não morri dentro da madre de minha mãe? Desejo morrer. Este era o desejo que ardia agora na alma deste mendigo. Não havia sentido na vida!


Pra completar a cena, alguns de seus amigos, sabendo de sua desgraça decidem visitá-lo. A cena é chocante! É mesmo Jó que está ali? O espanto é tão grande que por sete dias estes homem não conseguem pronunciar uma só palavra. Somente sentam e ficam ali observando...


Chegam à uma conclusão: Jó está em pecado! Não há outra explicação lógica! Caso contrário Deus é injusto e não seria nada bom se acreditarmos nisso. Ou ainda, as coisas boas ou ruins acontecem pra cada um independente do que fazem! Este era um pensamento muito perturbador. Então a melhor opção foi acusá-lo.


Inicia-se um ciclo de debates, até que, no capítulo 14, Jó declara que não acredita em uma solução para o homem em sua situação, mas de uma maneira profética, seus olhos se abrem para uma possibilidade:


Há esperança para a árvore... Ainda que esteja morta, cortada, seca, sem vida, se ela receber algumas gotas de orvalho, a umidade vinda de um rio ou mesmo uma chuvinha fraca, é capaz de voltar a viver e dar ramos como se fosse uma planta nova. Mas para o homem não há esperança.


Jó viu a solução. Ele percebeu de Deus poderia restaurar a vida àquilo que estava morto. O que ele esqueceu é que somos comparados à árvores, pelo próprio Deus: somos árvore plantada junto à ribeiros de água (Sl 1.3); somos carvalhos de justiça e plantação do próprio Deus (Is. 61.3), somos jardim fechado e regado pelo próprio Deus (Ct. 4.12).


Jó não compreendia que como árvore de Deus, só estava passando por um inverno. A primavera chegaria de novo trazendo com ela a vida! Há esperança...


Ele se tornaria uma forte e frutífera árvore novamente, estenderia seus galhos ainda mais adiante! Alimentaria ainda mais pessoas... Pois seu último estado foi melhor que o primeiro. Deus não só lhe restitui tudo, pois sua fidelidade foi inquestionável! Deus ainda o abençoa dobradamente. Foi o resultado de sua fidelidade. Jó nunca deixou de crer em Deus, ainda que a vida terrena não estava lhe sendo favorável, Deus continuava a ser seu Deus e merecedor de toda glória!


Esta é a atitude que Deus quer de nós. Mesmo diante do silêncio, mesmo diante de situações que não compreendemos, mesmo diante de toda a afronta e acusação, sejamos fiéis! A árvore florescerá novamente, acredite!
Pr. Paulo Nascimento

Um comentário:

  1. Muito edificante! Já havia lido o livro de Jó, mas nunca havia vivido ele. E estou em uma fase bem complicada de minha vida, onde fui rejeitada por minha mãe e ela ainda por cima fez meu irmão não falar comigo também. Passo pela fase do silencio de Deus, das chagas de Jó. Perdi parte da família, dinheiro... Mas depois de ler esse artigo fiquei ainda mais forte pra continuar essa luta, e sempre agradecendo a Deus por me sustentar neste momento difícil.

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